Num contexto marcado pela volatilidade, os CEOs mantêm as ambições de crescimento, mas estão a mudar a forma de as concretizar com maior disciplina operacional, controlo do risco e uma avaliação mais pragmática do retorno dos investimentos tecnológicos.
Esta é uma das principais conclusões do CEOs Agenda 2026, estudo da Oliver Wyman em parceria com a NYSE, que reúne as perspetivas de 415 CEOs de 11 setores, incluindo 132 líderes de empresas europeias.
Na Europa, 61% dos CEOs colocam a gestão de custos e a excelência operacional entre as três principais prioridades, face a 58% a nível global. Ao mesmo tempo, 92% preveem operações de fusões e aquisições, refletindo uma estratégia que procura conciliar eficiência e expansão.
Crescer a partir de uma base mais eficiente
O crescimento continua no centro da agenda: a nível global, 67% dos CEOs escolhem uma alavanca de crescimento como primeiro objetivo, enquanto 58% colocam a gestão de custos entre as três principais prioridades. Ganha assim força um modelo de crescimento autofinanciado, em que poupanças e ganhos de produtividade ajudam a financiar novos investimentos.
A volatilidade é também encarada como uma oportunidade: 65% dos CEOs identificam a disrupção competitiva como uma das três principais oportunidades, à frente do talento (50%) e da implementação de IA (45%). Em paralelo, as condições macroeconómicas são a ameaça mais citada, por 57% dos líderes, seguidas da geopolítica e da política comercial (41%).
A incerteza está ainda a encurtar os horizontes de decisão: metade do tempo de planeamento dos CEOs já é dedicado a períodos inferiores a um ano, enquanto 96% registam um maior envolvimento do conselho de administração em pelo menos uma área.
M&A para ganhar escala, capacidades e novos mercados
As fusões e aquisições estão presentes em praticamente todas as agendas: 94% dos CEOs preveem algum tipo de operação nos próximos um a dois anos, num mercado que atingiu 4,6 biliões de dólares em 2025, mais 48% do que em 2024.
Além de ganhar escala, as empresas procuram adquirir capacidades que demorariam mais tempo a desenvolver internamente: 42% dos CEOs pretendem adquirir novas competências e capital intelectual, percentagem que sobe para 54% nas maiores empresas e para 64% no setor de tecnologia, media e telecomunicações.
Na Europa, destaca-se sobretudo a expansão internacional: 54% dos CEOs europeus recorrem a aquisições para crescer noutros mercados, face a 40% na América do Norte e 46% a nível global.
IA: a escala começa a traduzir-se em resultados
Mais de 90% das empresas já estão, pelo menos, a testar IA, embora 67% continuem sobretudo em fase de planeamento ou piloto. Ao mesmo tempo, aumenta o pragmatismo: 53% dos CEOs consideram que ainda é cedo para avaliar o retorno do investimento, face a 41% em 2025.
Os resultados mostram, contudo, uma diferença crescente entre experimentar e implementar em escala. As empresas que já aplicaram IA em pelo menos duas áreas têm três vezes maior probabilidade de atingir ou superar as expectativas de retorno: 49% face a 15%. As empresas de maior dimensão registam ainda melhorias de produtividade associadas à IA cinco vezes superiores às das empresas mais pequenas.
Na Europa, 48% dos CEOs consideram a capacidade de implementar IA uma das três principais oportunidades de negócio, e 30% das empresas europeias já aplicam a tecnologia em escala em pelo menos duas áreas.
Uma nova estrutura para o talento
A transformação também está a chegar à composição das equipas. A percentagem de CEOs que planeiam reduzir o peso das funções júnior mais do que duplicou, de 17% para 43% num ano, enquanto 33% estão a reforçar os perfis intermédios. A tradicional pirâmide de talento começa, assim, a evoluir para uma estrutura em “diamante”.
Ao mesmo tempo, 45% dos CEOs esperam manter os efetivos estáveis, face a 31% em 2025, e 59% identificam a sucessão e o desenvolvimento da liderança como a principal prioridade em matéria de talento.
A CEO Agenda 2026 aponta, assim, para uma abordagem mais seletiva ao crescimento: reforçar a eficiência operacional, utilizar M&A para acelerar a expansão e a aquisição de capacidades e transformar o investimento em tecnologia em resultados concretos. Como resume Alberto Mateos, responsável pela plataforma de IA e pela indústria de serviços financeiros da Oliver Wyman em Espanha e Portugal, o desafio passa por “transformar oportunidades de crescimento em resultados de forma sustentável”.
Para obter mais informações sobre o estudo completo que sustenta este artigo, por favor contacte a equipa de marketing de Espanha e Portugal: OWIberiaReport@oliverwyman.com