As infraestruturas dos mercados financeiros enfrentam uma nova fase de crescimento impulsionada pela inovação tecnológica e pela evolução dos mercados globais. Segundo o relatório Global Financial Market Infrastructure, após registarem uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) próxima de 15% entre 2020 e 2025 e atingirem receitas de aproximadamente 131 mil milhões de dólares, o setor poderá alcançar entre 177 mil milhões e 229 mil milhões de dólares em 2030, dependendo da rapidez com que adote novas tecnologias e desenvolva novos modelos de negócio.
Este crescimento será sustentado por fatores como a inteligência artificial (IA), a tokenização de ativos e o surgimento de novos mercados, que estão a transformar tanto a estrutura do setor como as oportunidades de geração de receitas.
A IA, a tokenização e os novos mercados vão acelerar o crescimento
O relatório apresenta três cenários de evolução para os próximos anos. No cenário base, as infraestruturas dos mercados financeiros manteriam um crescimento anual próximo de 8% até 2030. No entanto, uma adoção mais rápida da IA, em conjunto com a expansão da tokenização e o desenvolvimento de novos mercados, poderá elevar esse crescimento para 12% ao ano, impulsionando as receitas globais para 229 mil milhões de dólares.
A tokenização destaca-se como um dos principais motores de transformação, compensando amplamente a evolução dos modelos tradicionais.
A inteligência artificial vai transformar o modelo operacional e de negócio
A IA terá um impacto direto tanto na eficiência operacional como na capacidade de gerar novas fontes de receita. O relatório estima que 9% das receitas atuais do setor, cerca de 12 mil milhões de dólares, estão diretamente expostas ao seu impacto, enquanto outros 16% poderão ser afetados caso as organizações não adaptem os seus modelos de negócio.
Para manterem a sua competitividade, as infraestruturas dos mercados financeiros terão de integrar funcionalidades baseadas em IA com dados exclusivos, fluxos de trabalho, redes e mecanismos de controlo que proporcionem vantagens diferenciadoras difíceis de replicar.
Do ponto de vista operacional, a IA poderá reduzir os custos em mais de 20%, aumentando a margem EBITDA de 54% para 63% antes de 2030. Além disso, permitirá gerar cerca de 9 mil milhões de dólares em novas receitas graças ao desenvolvimento de novos produtos, modelos de monetização e a um maior aproveitamento das soluções impulsionadas por agentes de IA.
Os mercados de previsão e a estratégia de crescimento vão marcar a próxima década
O relatório identifica igualmente um importante potencial de crescimento nos mercados de previsão. Embora a sua utilização esteja atualmente concentrada sobretudo entre investidores de retalho, a sua adoção por investidores institucionais em áreas como a macroeconomia, as políticas públicas, a meteorologia ou os acontecimentos empresariais poderá gerar entre 13 mil milhões e 19 mil milhões de dólares em receitas anuais. No cenário base, este valor situar-se-á entre 3 mil milhões e 5 mil milhões de dólares.
Para que este mercado alcance um desenvolvimento institucional, será necessário dispor de infraestruturas que garantam regras de funcionamento claras, mecanismos de governação, dados fiáveis, supervisão, compensação e liquidação.
Ao mesmo tempo, o relatório destaca a necessidade de rever as estratégias de crescimento do setor. A rápida evolução da IA obrigará agora a avaliar quais os investimentos que geram vantagens competitivas sustentáveis e criam verdadeiras sinergias com o negócio principal.
A próxima fase de crescimento das infraestruturas dos mercados financeiros dependerá não só da evolução dos mercados, mas também da capacidade das organizações para incorporar novas tecnologias, reforçar as suas vantagens competitivas e adaptar-se a um sistema financeiro cada vez mais complexo e digitalizado.
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