Crédito à habitação assume papel central na escolha do banco
Quando se trata de escolher o banco para a sua conta principal, os consumidores portugueses apresentam um comportamento claramente distinto do resto da Europa. Ao contrário de outros mercados, onde fatores como recomendações pessoais ou qualidade do serviço ao cliente têm maior peso, em Portugal são as condições de crédito à habitação que assumem um papel determinante.
De acordo com o estudo, 21% dos portugueses indicam este fator como prioritário, um valor significativamente acima da média europeia, que se situa nos 8%. Também os preços e as comissões mais baixos surgem como um critério relevante, reforçando a ideia de que os consumidores portugueses adotam uma abordagem particularmente racional e orientada para a otimização financeira.
Este comportamento reflete o contexto económico nacional, marcado por um mercado imobiliário exigente e por níveis de rendimento ainda em convergência com a média europeia, levando os consumidores a privilegiar decisões que protejam o equilíbrio financeiro do agregado familiar.
Uma das maiores aberturas à inteligência artificial na Europa
Portugal destaca-se como um dos mercados mais recetivos à utilização de inteligência artificial no setor bancário, evidenciando uma clara predisposição para a inovação na gestão financeira.
Mais de metade dos consumidores portugueses (52%) afirmam sentir-se confortáveis em confiar na IA para obter aconselhamento financeiro, o valor mais elevado entre os países analisados. Esta abertura estende-se também à execução de operações, com 48% dos inquiridos disponíveis para permitir que sistemas de IA atuem em seu nome.
Paralelamente, os portugueses revelam uma forte aceitação do aconselhamento remoto, com 83% a mostrarem-se abertos a interações digitais com gestores, seja por vídeo ou outros canais. Este posicionamento coloca Portugal na linha da frente da transformação digital da banca de retalho na Europa.
A dualidade entre digitalização e contacto humano
Apesar da rápida adoção de soluções digitais, os consumidores portugueses continuam a valorizar fortemente a presença física e o contacto humano, sobretudo em momentos de maior complexidade ou impacto financeiro.
Embora 84% prefiram utilizar aplicações ou websites para a gestão do dia a dia e 67% não recorram às agências para operações correntes, esta realidade altera-se quando estão em causa decisões mais relevantes. Nestes casos, 64% dos portugueses consideram necessária uma reunião presencial, evidenciando a importância da confiança e da proximidade.
Esta dualidade é ainda mais evidente no papel das agências: 91% dos consumidores consideram essencial que o seu banco disponha de uma presença física. Mesmo num contexto de digitalização avançada, a agência continua a funcionar como um pilar de segurança e confiança na relação bancária.
Forte potencial de crescimento dos bancos digitais
O mercado português revela um elevado potencial para a expansão de bancos digitais e neobancos, com níveis de abertura superiores à média europeia.
Atualmente, 47% dos consumidores em Portugal já utilizam neobancos, um valor alinhado com a média europeia. No entanto, o diferencial surge na intenção futura: 58% mostram-se disponíveis para utilizar um banco exclusivamente digital como conta principal, colocando Portugal entre os países mais dinâmicos neste segmento.
Além disso, 56% dos inquiridos afirmam confiar a maioria das suas poupanças a uma instituição digital, e quase metade considera estes bancos tão ou mais seguros do que os bancos tradicionais. Estes indicadores apontam para um cenário de crescente competitividade e transformação estrutural do setor.
Novos modelos financeiros ganham relevância
A abertura dos consumidores portugueses à inovação estende-se também a novos modelos de financiamento e soluções integradas em plataformas digitais.
Mais de metade (53%) demonstra interesse em soluções de Buy Now, Pay Later (BNPL), superando a média europeia. Ainda assim, a confiança na marca bancária mantém-se determinante, com uma maioria a preferir que estas soluções sejam disponibilizadas pelo seu banco principal.
Paralelamente, a integração de ativos digitais e carteiras tokenizadas nas plataformas bancárias deverá acelerar nos próximos anos. Dada a elevada predisposição do mercado português para a adoção digital, espera-se uma aceitação significativa destas soluções, desde que garantam elevados níveis de segurança e confiança.
O equilíbrio como fator crítico para o futuro da banca
O futuro da banca de retalho em Portugal será definido pela capacidade das instituições em gerir um equilíbrio cada vez mais exigente entre inovação tecnológica e proximidade humana.
Os consumidores esperam experiências digitais simples, rápidas e integradas, suportadas por inteligência artificial e novos modelos de financiamento. No entanto, continuam a valorizar o apoio humano e a existência de canais físicos em momentos críticos.
Neste contexto, as instituições que conseguirem combinar aconselhamento avançado, experiências digitais fluidas e uma presença física eficaz estarão melhor posicionadas para responder às expectativas do mercado e liderar o setor em 2026.
Para obter mais informações sobre o estudo completo que sustenta este artigo, por favor contacte a equipa de marketing de Espanha e Portugal: OWIberiaReport@oliverwyman.com