A atividade de M&A na Europa regressou em força em 2025 e deverá manter-se dinâmica em 2026. O M&A global cresceu mais de 30% no último ano, enquanto a Europa registou um aumento de cerca de 9% no valor das transações, alcançando aproximadamente 800 mil milhões de dólares, à medida que os investidores redirecionaram capital para a região. Os últimos 12 meses reforçaram uma convicção clara; a Europa precisa de consolidar mais rapidamente e de construir escala soberana em setores como a defesa, a banca e a tecnologia.
A volatilidade deverá manter-se elevada, com incertezas persistentes em torno da geopolítica, das taxas de juro e das tarifas. Ainda assim, a lógica fundamental da consolidação continua forte. A rentabilidade corporativa na maioria dos setores é hoje cerca de 50% superior aos níveis pré-crise de 2008, mas muitas empresas europeias continuam sem escala suficiente, e as indústrias permanecem mais fragmentadas do que nos Estados Unidos. Com os mercados acionistas em alta e moeda de aquisição disponível, muitas empresas estão bem posicionadas para agir de forma decisiva.
Um pipeline robusto de operações anunciadas, mas ainda não concluídas, capital global abundante e uma dinâmica regulatória mais favorável apontam para uma atividade sustentada de M&A em 2026.
A mais recente edição de Capital Currents sintetiza os 10 principais temas que irão moldar o M&A europeu em 2026. Destacamos onde o momentum é mais forte, como as dinâmicas setoriais estão a evoluir e o que as equipas de gestão podem fazer desde já para transformar oportunidades em valor duradouro.
Os 10 temas que irão moldar o M&A europeu em 2026
Ao longo dos 10 temas, emerge um padrão claro: consolidação, escala e uma alocação de capital mais focada estão no centro do M&A europeu em 2026.
Em conjunto, estes temas mostram que as equipas de gestão estão a utilizar o M&A para consolidar mercados fragmentados e reformular portfólios, alinhando-os melhor com oportunidades de crescimento, necessidades de resiliência e novas exigências regulatórias e de soberania.
A consolidação bancária acelera com o alinhamento entre capital e políticas públicas
O M&A bancário europeu registou o seu melhor ano em mais de uma década, com os volumes de transações a duplicarem desde 2020. A recuperação da rentabilidade, a necessidade de diversificação e uma postura regulatória mais favorável estão a impulsionar a consolidação. Espera-se que os bancos gerem mais de 500 mil milhões de dólares em capital excedentário acima dos mínimos regulatórios nos próximos três anos, canalizando cada vez mais esses recursos para aquisições que frequentemente oferecem retornos de 15% a 20%, superiores aos programas de recompra de ações.
Em 2026, antecipa-se um foco reforçado em capacidades de receitas com comissões, em particular na gestão de patrimónios, à medida que o ciclo das taxas de juro se inverte. A consolidação doméstica irá aprofundar-se e a primeira vaga de M&A bancário transfronteiriço observada em 2025 poderá ganhar tração, desde que avancem a União da Poupança e do Investimento e um sistema europeu comum de garantia de depósitos. As operações bem-sucedidas terão uma lógica estratégica clara, acrescentarão escala ou capacidades que acelerem o plano de negócios e gerarão retornos superiores a outras utilizações do capital.
Gestores de ativos e patrimónios entram numa corrida pela escala
A pressão sobre margens e a consolidação da base de clientes estão a alimentar uma forte vaga de M&A na gestão de ativos e de patrimónios. Várias grandes transações europeias em 2025 — incluindo joint ventures e aquisições relevantes — sublinham a urgência. Até 2030, poderá haver menos 20% de gestores de ativos na Europa, à medida que operadores de média dimensão lutam para manter escala e financiar investimentos em tecnologia e inteligência artificial, enquanto os líderes aproveitam a escala para capturar áreas de crescimento altamente concentradas.
A atividade de M&A está a intensificar-se, com cerca de 100 a 200 operações anuais impulsionadas por capacidades em mercados privados, acesso a capital de seguros de longo prazo, distribuição proprietária e sinergias de custos que financiam reinvestimentos. À medida que seguradoras e gestores de patrimónios reconsideram a posse direta de gestoras de ativos, surgem oportunidades intersetoriais como carve-outs, alianças estratégicas e investimentos em distribuição.
Operadores de telecomunicações recorrem ao M&A para restaurar a economia do setor e financiar o crescimento
Os mercados europeus de telecomunicações são maduros, com crescimento limitado na conectividade móvel e fixa. As necessidades de capital para 5G e fibra colidem com estruturas de mercado fragmentadas. O operador médio da União Europeia tem cerca de 5 milhões de clientes, face a aproximadamente 107 milhões nos Estados Unidos. As prioridades de soberania e resiliência reforçam o argumento para infraestruturas digitais ancoradas a nivel nacional, enquanto os reguladores adotam uma postura mais pragmática em relação à consolidação.
Neste contexto, a consolidação doméstica continua a ser o maior e mais imediato reservatório de valor. Paralelamente, os operadores estão a adquirir motores de crescimento em serviços digitais B2B, onde o cross-selling e a penetração em novos segmentos impulsionam as receitas. Joint ventures em data centers, parcerias com empresas tecnológicas e transações em fibra e torres continuarão a transformar o panorama das infraestruturas, com o private equity a desempenhar um papel cada vez mais relevante na construção de capacidade computacional soberana.
O M&A em defesa orienta-se para escala produtiva e segurança da cadeia de abastecimento
O setor europeu da defesa entra em 2026 com uma perspetiva estruturalmente forte de procura. Os gastos militares deverão crescer cerca de 9% ao ano até 2030, aumentando os orçamentos em mais de 50% face a 2025. As carteiras de encomendas estão cheias e as linhas de produção operam perto da capacidade máxima, com a procura projetada para a próxima década a ser cerca de 20 vezes superior à atual produção anual.
O M&A está a evoluir de uma limpeza de portfólio para uma aposta estratégica em capacidades produtivas e tecnologias críticas, especialmente sistemas intensivos em software. Questões de soberania e regras de elegibilidade de programas irão moldar as estruturas das operações, favorecendo joint ventures, participações minoritárias, carve-outs e modelos de governação protegidos. O capital privado continuará mais ativo em fornecedores, carve-outs e adjacências menos sensíveis, enquanto empresas de média dimensão procuram financiamento para expandir capacidade.
Empresas de logística procuram escala, tecnologia e densidade de rede
No setor da logística, o crescimento do e-commerce e o declínio do correio tradicional intensificam a necessidade de consolidação. O mercado europeu está a evoluir para menos operações, mas de maior valor, à medida que os players procuram sinergias de escala, redes otimizadas e automação para mitigar a pressão sobre margens. Transações recentes de grande dimensão evidenciam o esforço para construir plataformas mais abrangentes e parcerias capazes de responder às crescentes exigências dos clientes por soluções integradas e fiáveis.
Os compradores estão a privilegiar fontes de receita mais recorrentes, como a logística contratual, a armazenagem e os serviços especializados de valor acrescentado. As capacidades tecnológicas em visibilidade, analytics e automação estão hoje no centro das teses de investimento e da criação de valor pós-fusão.
Farmacêutica e ciências da vida refinam portfólios em torno de terapias prioritárias
O M&A farmacêutico tornou-se uma necessidade estratégica e não apenas oportunista, à medida que o setor supera a desaceleração de 2023-2024 e entra num ambiente mais seletivo e construtivo. As condições de financiamento melhoraram, mas a disciplina mantém-se elevada e os ativos de qualidade comandam prémios.
As empresas estão a adquirir ativos com base em critérios claros de portfólio e potencial comercial — desde doenças raras a indicações consolidadas e novas modalidades como terapias celulares, anticorpos biespecíficos e conjugados anticorpo-fármaco. Em paralelo, ativos não estratégicos estão a ser alienados para financiar investimentos em áreas prioritárias, plataformas escaláveis e descoberta assistida por IA. Para 2026, antecipamos mais aquisições bolt-on de risco reduzido, operações de plataforma orientadas por capacidades, transações estruturadas e carve-outs contínuos.
Empresas químicas reconfiguram portfólios para reforçar resiliência
As empresas químicas estão a usar o M&A para se recentrar em especialidades, assegurar posições competitivas e reforçar fluxos de caixa. Os ventos contrários incluem sobrecapacidade global de commodities, procura fraca em setores-chave, custos energéticos estruturalmente mais elevados na Europa e exigências crescentes de sustentabilidade.
Ativos de commodities subutilizados estão cada vez mais sob escrutínio para desinvestimento ou encerramento. Aquisições de pequena e média dimensão em segmentos especializados mais resilientes, sobretudo em regiões de elevado crescimento como a Ásia, apoiam estratégias locais. Ao mesmo tempo, grandes transações procuram criar plataformas globais, garantir acesso a matérias-primas e acelerar a transição para químicas circulares e de base biológica.
Seguradoras e intermediários continuam uma forte vaga de consolidação
No setor segurador, a consolidação de brokers e prestadores de serviços apoiados por private equity tem dominado os volumes de M&A, representando cerca de 90% das transações nos últimos anos. Existe ainda margem para roll-ups e uma emergente “consolidação dos consolidadores”. O interesse por managing general agents está a crescer, com a integração vertical vista como uma forma de proteger margens e diferenciar propostas.
Do lado das seguradoras, fusões recentes mostram que a escala continua essencial para relevância de mercado e investimento tecnológico. Os desafios estruturais nos seguros de vida continuam a gerar operações de run-off e a atrair private equity. Em 2026, esperamos mais aquisições de franquias especializadas de subscrição.
O excesso de caixa corporativo pode desbloquear as saídas do private equity
As empresas europeias detêm cerca de 2,6 biliões de euros em caixa, enquanto o private equity gere portfólios envelhecidos e opções limitadas de saída. Em 2026, mais de 1.500 ativos apoiados por PE, cerca de 760 mil milhões de dólares em valor empresarial, poderão chegar ao mercado.
Para transformar este backlog num motor recorrente de crescimento, as empresas terão de se tornar “PE-ready”, refinando teses de M&A, mapeando ativos prioritários e envolvendo sponsors de forma antecipada.
O reequilíbrio estratégico de portfólios volta ao topo da agenda
O reequilíbrio de portfólios está a tornar-se um tema central no M&A europeu, à medida que as empresas respondem a ventos contrários persistentes e a um custo de capital mais elevado. As alienações e carve-outs caíram acentuadamente em 2022 e 2023, estabilizaram depois e começaram a recuperar, com as maiores vendas de ativos mais visíveis nos setores da saúde, consumo e dos transportes e logística. Atualmente, um terço das empresas europeias gera retornos abaixo do seu custo de capital, o que indica uma alocação ineficiente de capital e portfólios com fraco desempenho.
Em 2026, a venda de ativos não estratégicos ou de baixo desempenho será um dos principais catalisadores, libertando capital para devolução aos acionistas ou para reinvestimento em operações de escala nos negócios core. Os setores de materiais, energia, consumo, saúde e serviços financeiros apresentam níveis significativos de capital mal alocado, e os conglomerados continuam a desagregar ativos para cristalizar valor. Os investidores ativistas estão a intensificar a pressão, levando as equipas de gestão a recentrar estratégias e a simplificar estruturas.
Como os líderes podem vencer na próxima fase do M&A europeu
O M&A europeu entra em 2026 com novo impulso e foco estratégico. As prioridades são claras:
- Definir um blueprint de M&A alinhado com a estratégia
- Construir capacidades repetíveis de execução
- Tratar o reequilíbrio de portfólio como disciplina contínua
A consolidação disciplinada e a alocação de capital mais eficaz distinguirão os líderes dos seguidores na próxima década.
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