A fragmentação global já tem um custo elevado

As tensões geopolíticas estão a redefinir a economia
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Durante anos, a fragmentação geoeconómica foi vista como um risco potencial associado às tensões entre grandes potências. Hoje, esse risco transformou-se num custo real para a economia mundial. 

Mais do que um fenómeno pontual, esta tendência está a alterar a forma como o comércio, o investimento e os fluxos financeiros funcionam à escala global. O que começou por afetar principalmente rivais geopolíticos está agora a atingir também economias tradicionalmente alinhadas, tornando a fragmentação uma característica estrutural do atual contexto económico.

213–307 mil milhões
de dólares
Custo anual estimado da fragmentação geoeconómica para a economia mundial

Quando a incerteza se torna um custo económico

Os efeitos da fragmentação já ultrapassam os mercados financeiros e começam a refletir-se na economia real. À medida que aumentam as barreiras comerciais e financeiras, cresce também a dificuldade das empresas em planear investimentos, gerir cadeias de valor globais e antecipar mudanças regulatórias.

Segundo o relatório, as atuais políticas de fragmentação poderão acrescentar entre 0,2 e 0,3 pontos percentuais à inflação global, reduzindo o poder de compra das famílias e aumentando os custos para as empresas. Num ambiente marcado pela imprevisibilidade, a confiança e a estabilidade tornam-se fatores cada vez mais relevantes para sustentar o crescimento económico.

Os mercados emergentes enfrentam os maiores desafios

Embora a fragmentação tenha impacto à escala global, os mercados emergentes poderão ser os mais afetados. A sua maior dependência dos fluxos internacionais de capital e o menor desenvolvimento dos mercados financeiros tornam estas economias particularmente vulneráveis a um sistema financeiro menos integrado.

África ilustra simultaneamente os riscos e as oportunidades deste novo contexto. Embora um sistema financeiro mais fragmentado possa tornar o financiamento para o desenvolvimento mais caro e menos previsível, iniciativas de integração regional, como a Zona de Comércio Livre Continental Africana e o sistema de pagamentos PAPSS, demonstram como a cooperação regional pode reforçar a resiliência económica e reduzir a vulnerabilidade a choques externos.

Impacto potencial na produção
10,7%
Perda de produção estimada nos países fora dos principais blocos geopolíticos
6,4%
Queda média global num cenário de fragmentação extrema
Esta diferença mostra como a fragmentação pode agravar as desigualdades económicas entre regiões.

Gerir a fragmentação para proteger o crescimento

Apesar de ser pouco provável que a fragmentação seja revertida no curto prazo, os seus impactos podem ser mitigados. O relatório destaca a importância de preservar princípios comuns, promover a previsibilidade das políticas públicas e reforçar a cooperação económica regional para reduzir os riscos associados a um mundo mais dividido.

A questão já não é saber se a economia global será mais fragmentada, mas sim como governos, empresas e instituições conseguirão adaptar-se a esta nova realidade, preservando a estabilidade financeira e as oportunidades de crescimento a longo prazo. 

Para obter mais informações sobre o estudo completo que sustenta este artigo, por favor contacte a equipa de marketing de Espanha e Portugal: OWIberiaReport@oliverwyman.com