Nova vaga de M&A nos mercados privados

Ativos sob gestão: +12%/ano em 5 anos
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Os mercados privados estão a atravessar uma nova fase de transformação. Num contexto em que a angariação de capital se concentra progressivamente num número cada vez mais reduzido de intervenientes e os investidores exigem capacidades cada vez mais sofisticadas, a escala tornou-se um fator determinante para competir.

Esta dinâmica está a acelerar as operações de fusões e aquisições (M&A) no setor. Entre 2023 e 2025, o valor destas transações passou de 13 mil milhões para 27,2 mil milhões de dólares, refletindo a forma como as gestoras procuram reforçar o seu posicionamento através de plataformas mais abrangentes, resilientes e diversificadas.

Esta tendência surge também num dos segmentos com maiores perspetivas de crescimento no universo da gestão de ativos. Segundo a análise da Oliver Wyman, os ativos sob gestão nos mercados privados deverão crescer cerca de 12% ao ano durante os próximos cinco anos, face aos 8% previstos para os ativos cotados, reforçando o seu peso estratégico na indústria.

Embora o mercado continue muito fragmentado, a angariação de capital concentra-se cada vez mais nas sociedades gestoras de maior dimensão. Os gestores com mais de 10 mil milhões de dólares em ativos sob gestão aumentaram a sua quota de captação de 42% (2000-2005) para 54% nos últimos cinco anos, refletindo uma preferência crescente dos investidores por plataformas de maior escala e institucionalização.

Anexo 1: As economias de escala e de âmbito impulsionam o crescimento da quota de mercado dos GP
(% do capital total angariado pelos GP com 10 mil milhões de dólares ou mais em ativos sob gestão; número médio de produtos ativos disponibilizados pelos 20 maiores GP¹)
Os principais gestores de fundos ganham quota de mercado graças à sua escala e âmbito de atuação, aumentando a concentração na angariação de fundos e multiplicando por mais de seis a oferta de produtos.
Notes: Consideram-se produtos ativos as estratégias de investimento diferenciadas que tenham angariado mais de 100 milhões de dólares de capital nos últimos cinco anos e que estejam atualmente a ser comercializadas, investidas ou geridas pelo GP.

Quando a escala deixa de ser uma vantagem

Apesar do forte crescimento dos mercados privados, o setor continua a apresentar um elevado nível de fragmentação. Cerca de 97% dos gestores de private equity, 87% dos gestores de private credit e 95% dos gestores de real estate gerem menos de 5 mil milhões de dólares em ativos sob gestão.

Esta evolução resulta de fatores estruturais. As plataformas de maior dimensão dispõem de redes de originação mais amplas, maior capacidade para atrair e reter talento e recursos mais robustos em áreas como a gestão de risco, a conformidade regulamentar, o reporte e as operações de carteira. São capacidades que os grandes investidores institucionais consideram cada vez mais relevantes nos seus processos de seleção.

Porque razão acelera a consolidação
01

Escala

Já não é uma vantagem, mas sim um requisito para captar capital, atrair talento e sustentar a infraestrutura exigida pelos investidores institucionais.

02

Diversidade da oferta

Os 20 maiores gestores multiplicaram por seis o número de produtos ativos desde 2005, evoluindo de fundos emblemáticos para plataformas mais abrangentes.

03

Gestão do ciclo

A consistência na avaliação e gestão dos investimentos ganha importância perante condições de crédito mais exigentes e as refinanciações que se aproximam.

À medida que a consolidação acelera nos mercados privados, as gestoras de ativos concentram-se cada vez mais na forma como as combinações estratégicas podem gerar valor. Na maioria das transações, os principais fatores de criação de valor assentam em cinco alavancas.

01

Crescimento das receitas

Maior capacidade de distribuição e coinvestimento.

02

Expansão das margens

Eliminação de redundâncias e economias de escala.

03

Expansão dos múltiplos

Diversificação das estratégias e maior resiliência da plataforma.

04

Maior participação nos lucros

Acesso às comissões de desempenho dos fundos adquiridos.

05

Melhores resultados para os investidores

Acesso preferencial a oportunidades para seguradoras e fundos de pensões.

A diversidade da oferta ganha protagonismo

No entanto, crescer através de M&A não garante, por si só, melhores resultados. Apenas metade das operações na gestão de ativos consegue melhorar de forma mensurável o rácio custo-rendimento. O sucesso depende menos da dimensão da transação do que da capacidade para executar uma integração eficaz.

As operações que criaram valor de forma sustentada partilham três elementos: uma tese estratégica clara desde o início, um planeamento rigoroso da integração e uma gestão cuidada do talento e da cultura da organização adquirida. As gestoras com melhor desempenho são aquelas que identificam com precisão as capacidades que necessitam de reforçar, avaliam de forma realista as sinergias esperadas e definem, desde o início, um modelo operacional coerente. Numa indústria em que o principal ativo são as pessoas e a capacidade de investimento, preservar o talento-chave é tão importante como alcançar uma maior escala.

Para obter mais informações sobre o estudo completo que sustenta este artigo, por favor contacte a equipa de marketing de Espanha e Portugal: OWIberiaReport@oliverwyman.com