A banca grossista entra numa nova fase de transformação. Depois de o setor ter registado, em 2025, os melhores resultados da sua história, consolidando uma posição de solidez financeira e de resiliência operacional, as instituições enfrentam agora uma mudança mais profunda: a modernização das infraestruturas que suportam a atividade financeira global. Mais do que o surgimento de novas classes de ativos, o verdadeiro impacto verifica-se na forma como as operações são processadas, negociadas e liquidadas, com a digitalização a assumir um papel central numa evolução que promete redefinir a eficiência, a competitividade e as fontes de criação de valor em toda a cadeia bancária.
O relatório Digital Rails, Real Economics: Digital Assets & the Future of Wholesale Banking, elaborado em conjunto com a Morgan Stanley, analisa de que forma os ativos digitais estão a alterar a estrutura competitiva do mercado grossista e quais serão as implicações dessa evolução para os bancos até 2030.
Mais resiliência, mas também maiores diferenças entre instituições
As perspetivas para o setor continuam a ser positivas. Segundo o estudo, a banca grossista poderá gerar entre 650 mil milhões e 850 mil milhões de dólares em receitas até 2030, com uma rentabilidade entre 12% e 20%, consoante a evolução da economia mundial.
No entanto, o crescimento não será distribuído de forma uniforme. A capacidade de adaptação às mudanças estruturais será determinante para definir quais as instituições que conseguirão reforçar a sua posição e quais as que perderão relevância. A afetação eficiente de capital, a utilização da inteligência artificial e o desenvolvimento de capacidades em torno dos ativos digitais surgem como fatores essenciais para competir no próximo ciclo.
O debate não está nos criptoativos, mas sim na infraestrutura
Embora os ativos digitais sejam frequentemente associados a criptomoedas e stablecoins, o relatório conclui que é pouco provável que estas tecnologias venham a substituir os pilares fundamentais do modelo bancário tradicional. A atividade institucional relacionada com criptoativos poderá atingir 16,4 mil milhões de dólares em 2030, um valor reduzido quando comparado com a dimensão total do mercado.
Da mesma forma, as receitas adicionais geradas pelos ativos digitais enquanto nova classe de ativos representarão apenas uma pequena fração das receitas previstas para o conjunto do setor.
A verdadeira transformação acontece noutro domínio: a migração das atividades existentes para infraestruturas digitais capazes de proporcionar maior eficiência operacional, custos mais reduzidos e uma execução praticamente imediata.
Pagamentos, liquidez e colateral: o novo campo de batalha
As mudanças mais significativas ocorrerão nas áreas que constituem o núcleo da atividade da banca grossista. Os pagamentos transfronteiriços, a gestão de colateral, o financiamento, a gestão de liquidez, os mercados cambiais, o financiamento do comércio e os serviços aos investidores estão entre os segmentos com maior potencial de transformação.
No cenário de base analisado pelo relatório, as infraestruturas digitais poderão ter impacto em atividades que atualmente geram mais de 200 mil milhões de dólares em receitas.
A capacidade para oferecer operações mais rápidas, disponibilidade permanente e custos de processamento mais baixos está a criar novas dinâmicas competitivas em atividades que, historicamente, têm sido dominadas pelos grandes bancos.
Uma oportunidade estratégica para quem agir primeiro
A transição para infraestruturas digitais não implica uma rutura imediata com o modelo atual, mas pressupõe uma redefinição gradual das fontes de vantagem competitiva. À medida que clientes e receitas comecem a migrar para novos ambientes operacionais, as instituições que tiverem desenvolvido capacidades relevantes estarão mais bem preparadas para captar valor e proteger a sua posição.
O horizonte de 2030 aponta para um setor que continuará a ser sólido, mas em que a diferença entre líderes e seguidores dependerá cada vez mais da capacidade para integrar os ativos digitais na atividade principal do negócio. A questão já não é se estas infraestruturas irão transformar a banca grossista, mas sim quem conseguirá transformar essa mudança numa vantagem competitiva sustentável.
Para obter mais informações sobre o estudo completo que sustenta este artigo, por favor contacte a equipa de marketing de Espanha e Portugal: OWIberiaReport@oliverwyman.com