Desafios geopolíticos travam crescimento do setor europeu dos bens industriais

As incertezas geopolíticas estão a travar as expectativas de crescimento do setor europeu dos bens industriais. Um novo estudo da Oliver Wyman revela que menos de quatro em cada dez líderes empresariais do setor (39%) esperam crescimento em 2025, enquanto 10% antecipam estagnação ou perdas de receitas.

A edição deste ano do relatório anual, intitulada The State of the Industrial Goods Sector, inquiriu 140 executivos de topo de empresas líderes europeias do setor dos bens industriais e analisou 240 empresas europeias cotadas em bolsa. Os resultados apontam para um clima empresarial desafiante na Europa, impulsionado sobretudo pelo aumento das incertezas geopolíticas. Os executivos classificaram a atual situação empresarial com uma média de 5,4 em 10, o que representa uma descida face aos 6,5 registados no ano passado, sendo os decisores alemães particularmente pessimistas, ao atribuírem uma pontuação média de 5,0.

A análise revela que as empresas inquiridas registaram, em 2024, um crescimento significativamente mais lento do valor de mercado, com um aumento de apenas 4%, muito abaixo da média dos últimos dez anos, situada em cerca de 11%. Em contrapartida, o índice MSCI Europa subiu 5%, enquanto o setor dos bens industriais norte-americano registou um aumento de 16% na capitalização de mercado, quatro vezes superior ao das empresas europeias. As empresas chinesas também superaram a Europa, com um aumento de 17%. Em termos de crescimento das receitas, os fabricantes europeus ficaram atrás dos seus homólogos norte-americanos e chineses, alcançando apenas 2% de crescimento, em comparação com 6% e 7%, respetivamente.

As questões geopolíticas continuam a constituir o principal risco empresarial para os decisores do setor europeu dos bens industriais, com 83% a considerá-las atualmente uma ameaça, face aos 68% registados no ano passado. Entre as restantes preocupações destacam-se a fraca procura ou a recessão (63%) e o aumento dos custos (58%). As empresas europeias estão particularmente vulneráveis às tarifas e às restrições à exportação, uma vez que geram 63% das suas receitas nos mercados internacionais. Em resposta, 33% das empresas europeias planeiam conceder maior autonomia às suas organizações regionais, com enfoque na regionalização das vendas, dos serviços, da produção (46%) e do desenvolvimento (22%).

O setor europeu dos bens industriais está a atravessar mais um ano desafiante, devido à incerteza decorrente das políticas comerciais e pautais, o que está a levar os clientes a adiar investimentos. Apesar destes desafios, espera-se que a eletrificação e a inteligência artificial impulsionem o crescimento dos fabricantes de equipamentos até 2025, enquanto o interesse no setor da defesa também está a aumentar”, afirma Wolfgang Krenz, Partner e Diretor da Área de Bens Industriais da Oliver Wyman.

Os fabricantes europeus de bens industriais mantiveram, em média, as suas margens de EBIT, apesar dos desafios enfrentados no ano passado, o que reflete uma forte gestão de custos e competência operacional. No entanto, o atraso no crescimento do valor de mercado indica que o setor está a ser subvalorizado. Muitas empresas planeiam regionalizar as suas operações para visar mercados em crescimento, como a Índia, e reforçar a resiliência geopolítica, o que terá impacto em cadeias de valor inteiras. O reforço da resiliência financeira, através do capital próprio e da liquidez, é também crucial, uma vez que poderão surgir novas tensões geopolíticas e comerciais”, comenta Daniel Kronenwett, Partner da Área de Bens Industriais da Oliver Wyman.

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