O relatório, intitulado “Reviving the Commercial Aircraft Supply Chain”, analisa os principais desafios enfrentados pela cadeia de abastecimento da indústria aeroespacial, identifica as suas causas estruturais, avalia o impacto nas companhias aéreas e propõe iniciativas para impulsionar o desenvolvimento do setor aeronáutico.
Desafios na cadeia de abastecimento que afetam a produção e o planeamento de frotas
O relatório destaca que as disrupções na cadeia de abastecimento estão a atrasar a produção de novas aeronaves e componentes, obrigando as companhias aéreas a rever os seus planos de frota e a manter aeronaves mais antigas em operação por períodos mais longos. A carteira global de encomendas atingiu um máximo histórico de mais de 17.000 aeronaves em 2024, superando largamente a média anual de cerca de 13.000 unidades registada entre 2010 e 2019. Como consequência, o tempo médio de entrega aumentou para 6,8 anos em 2024, face a 4,5 anos em 2018.
Impacto económico: mais de 11 mil milhões de dólares em custos adicionais até 2025
A desaceleração da produção deverá representar um custo superior a 11 mil milhões de dólares para a indústria aérea em 2025, impulsionado por quatro fatores principais:
- Custos elevados de combustível (4,2 mil milhões de dólares): as companhias aéreas operam aeronaves mais antigas e menos eficientes devido aos atrasos nas entregas, aumentando o consumo de combustível.
- Aumento dos custos de manutenção (3,1 mil milhões de dólares): a frota envelhecida exige manutenção mais frequente e dispendiosa.
- Crescimento dos custos de aluguer de motores (2,6 mil milhões de dólares): os tempos de manutenção prolongados obrigam ao aluguer de mais motores, com tarifas que aumentaram entre 20% e 30% desde 2019.
- Custos de manutenção de inventários excedentários (1,4 mil milhões de dólares): para mitigar disrupções imprevisíveis, as companhias aéreas acumulam mais peças sobresselentes, elevando os custos de stock.
Para além do impacto nos custos de combustível, as companhias aéreas enfrentam também maiores custos de propriedade e alterações no financiamento das frotas, afetando a disponibilidade de materiais e reparações. Entre 2005 e 2019, os preços de catálogo das aeronaves cresceram, em média, 3% ao ano. A percentagem de aeronaves em leasing aumentou de 10% nos anos 70 para 58% no final de 2023. Na Europa, América Latina e Ásia, cerca de 70% da frota encontra-se arrendada, comparativamente a 40% na América do Norte.
Cadeia de abastecimento sob pressão perante uma procura crescente
Os constrangimentos na cadeia de abastecimento limitam a capacidade das companhias aéreas de disponibilizar aeronaves suficientes para satisfazer a crescente procura de passageiros. Em 2024, a procura aumentou 10,4%, superando o crescimento da capacidade, que foi de 8,7%, elevando os fatores de ocupação para um recorde de 83,5%. Esta tendência deverá manter-se em 2025.
Apesar da forte procura, os dois principais fabricantes continuam abaixo dos seus máximos históricos de entregas anuais: 766 aeronaves em 2024 face a 863 em 2019, e 348 face a 806 em 2018. No total, 2024 encerrou com 1.226 entregas, comparativamente a 1.374 em 2019.
Ainda assim, o relatório antecipa que o mercado global da aviação comercial ultrapasse os 230 mil milhões de dólares em 2025 e recupere totalmente os níveis pré-pandemia em 2027. Na próxima década, espera-se um crescimento médio anual de 5%, com os fabricantes de equipamentos originais (OEM) a crescerem a mais do dobro do ritmo do mercado de manutenção, reparação e revisão (MRO).
Roteiro para a recuperação gradual do setor
O modelo económico atual da indústria aeroespacial, a instabilidade geopolítica, a escassez de matérias-primas e a rigidez do mercado laboral são fatores que contribuem para os problemas da cadeia de abastecimento. O relatório propõe um conjunto de iniciativas estratégicas para fabricantes, locadores, fornecedores e companhias aéreas, com o objetivo de equilibrar a oferta e a procura e reforçar a resiliência do setor:
- Promover melhores práticas no mercado pós-venda: apoiar empresas de manutenção, reparação e revisão (MRO) para reduzir a dependência de modelos de licenciamento dos OEM e facilitar o acesso a fontes alternativas de materiais e serviços.
- Melhorar a visibilidade da cadeia de abastecimento: criar uma visão integrada ao longo de todos os níveis de fornecedores para identificar riscos precocemente, reduzir estrangulamentos e ineficiências, e recorrer a dados e ferramentas avançadas para tornar a cadeia mais robusta.
- Aproveitar o valor dos dados: utilizar manutenção preditiva, partilha de peças sobresselentes e plataformas de dados comuns para otimizar inventários e minimizar tempos de inatividade.
- Expandir a capacidade de reparação e fornecimento de peças: acelerar aprovações de reparação, apoiar soluções com peças alternativas e materiais usados em boas condições (USM) e adotar tecnologias de fabrico avançadas para aliviar estrangulamentos.
Para implementar com sucesso estas iniciativas, o primeiro, e mais importante, passo para os intervenientes da indústria aeroespacial comercial é desenvolver uma abordagem estratégica colaborativa ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Os múltiplos desafios enfrentados pelo setor exigem cooperação para responder de forma mais eficaz à procura de produção e manutenção de aeronaves.
Para obter mais informações sobre o estudo completo que suporta este artigo, por favor entre em contacto com a equipa de marketing da Espanha e Portugal: OWIberiaReport@oliverwyman.com.